domingo, 23 de abril de 2017

Feliz Dia Mundial do Livro!


"Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma."
George R. R. Martin

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Opinião: Sinto a Tua Falta

Título Original: MissYou (2015)
Autor: Kate Eberlen
Tradução: Inês Castro
ISBN: 9789896578756
Editora: Planeta (2017)

Sinopse:

O amor chega quando estamos preparados... Tesso sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controlo da família e descobrir o que de facto deseja ser. Por um dia, nas férias, os caminhos destes jovens de dezoito anos cruzam-se antes de voltarem a casa e verificarem que a vida nem sempre decorre como planeado. Nos dezasseis anos seguintes, com rumos de vida bastante diferentes, cada um descobrirá os prazeres da juventude, enfrentará problemas familiares e encarará as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo leva a crer que será impossível que um dia se conheçam verdadeiramente... "Sinto a Tua Falta" conta duas trajectórias que se entrelaçam sem se tocarem, numa narrativa que emociona.

Opinião:

Sinto a Tua Falta é um livro muito romântico que nos mostra que, apesar dos muitos obstáculos que a vida apresenta, a felicidade e o amor podem ser encontrados. Tudo no seu tempo certo. Kate Eberlen, a autora, mostra que muito dificilmente conseguimos seguir fielmente o plano que traçamos e que nem sempre nos tornamos nos adultos que imaginamos durante a adolescência. Contudo, tal não significa que não seja possível alcançar os nossos sonhos, mesmo que para tal tenhamos de seguir caminhos inesperados.

Tesse e Gus são os protagonistas deste romance. As suas histórias são relatadas em capítulos intercalados e na primeira pessoa. Acompanhamos as suas vidas desde o fim da adolescência até à idade adulta e percebemos de que forma o seu percurso os moldou e como tal foi necessário para que algo de especial acontecesse. Logo no início, fica patente que os dois têm origens sociais e personalidades distintas. É então normal que exista maior empatia por uma personagem do que pela outra.

A história e Tess acabou por aguçar mais a minha curiosidade, mas não tanto por ela. As situações em que se encontrava e as personagens que a rodeavam faziam-me ansiar pelos seus capítulos. Senti compaixão pela sua situação inicial, admirei-a por não abandonar a irmã, mas não concordei com algumas das decisões que tomou. O seu percurso sensibiliza para a Síndrome de Asperger, as vítimas de cancro e o alcoolismo.

 Gus, talvez por inicialmente ser mais introspectivo e não se rodear tanto de outras personagens, acabou por não chamar tanto a atenção. Mas conforme a sua narrativa vai desenrolando, vai também ficando mais apelativa. Com ele pensamos nas expectativas familiares, isto em diferentes papéis. Sente-se que ele esconde-se atrás de uma máscara criada para corresponder às expectativas dos outros, mas isso só o coloca em negação e magoa quem se deixa enganar por essa imagem.

Existe um acontecimento que tinha a certeza que iria ocorrer e pelo qual ansiava, contudo, a forma como este se deu ficou aquém das expectativas. Faltou veracidade ao momento, ao mesmo tempo que tudo pareceu dar-se demasiado depressa. Depois disto, o fim chega com muitas questões em aberto e sem se perceber ao certo o que irá acontecer aos protagonistas. Afinal, a vida volta a pregar uma partida e a conclusão acaba por tanto dar esperança como deixar a dúvida no ar. Como tal, a leitura, apesar de ter sido agradável, não chegou ao fim com a sensação de conclusão e de que tudo tinha sido explicado e encontrado o seu lugar.

O título da obra gera algumas dúvidas, mas fica a ideia de que pode ter um duplo significado. Por um lado existe entre os protagonistas a ideia de que sentem falta de alguém que ainda não conheceram, alguém por quem nutram amor e que os corresponda. Esta falta é, assim, o desejo de encontrar um companheiro para a vida. Por outro lado, Tess e Gus sofreram perdas e estão a lidar com essas faltas. O curioso aqui é que o luto é feito de formas diferentes, até porque a relação que tinham com as figuras que partiram era bastante diferente. Apesar de tudo, essas mortes tiveram profundas marcas nas suas vidas.

Apesar de ser um livro com mais de 400 páginas, Sinto a Tua Falta é lido com vontade. Como tal, fiquei impressionada quando cheguei ao fim com tanta rapidez. Os dramas descritos no livro são bastante reais e ensinam que os problemas não significam derrotas. A autora mostra que existem alternativas para se conquistar o que se deseja. Uma história bonita e que tem ensinamentos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Opinião: A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra

Título Original: Ta deuxième vie commence quand tu comprends que tu n'en as qu'une (2015)
Autor: Raphaëlle Giordano
Tradução: Patrícia Xavier
ISBN: 9789896652210
Editora: Suma de Letras (2017)

Sinopse:

Camille tem tudo e parece estar feliz. Então, por que sente a felicidade escorregar-lhe por entre os dedos? Quando Claude, rotinólogo, se oferece para a ajudar, ela não hesita. Através de experiências surpreendentes e incríveis, Camille vai, passo a passo, transformando sua vida e começa a conquistar seus sonhos. Um romance enternecedor e autêntico sobre a capacidade de nos reinventarmos

Opinião:

Raphaëlle Giordano, coach de desenvolvimento e criatividade, inspirou-se claramente na própria profissão para escrever este seu primeiro romance. Em  A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra encontramos uma mulher comum que passa por desafios e obstáculos semelhantes a muitas outras pessoas. Ao apresentar esta personagem e a jornada que fez para alcançar os seus sonhos, a autora procura entreter o leitor e transmitir conselhos e estratégias que podem ser levados para a vida.

Conhecemos Camille numa situação caricata e depois somos apresentados à sua realidade pessoal, familiar e profissional. Quando Claude aparece, não sabemos bem o que esperar desta personagem, que parece demasiado altruísta para ser verdade. Entre os dois acaba por se estabelecer uma ligação de mestre e aprendiz que proporciona ao leitor uma nova visão sobre as dificuldades da vida.

A narrativa começa de forma interessante, mas acaba por agarrar como era esperado. Tal pode ter acontecido devido à construção das personagens. Afinal, as figuras apresentadas representam estereótipos e acabam por não ter uma profundidade capaz de gerar empatia. Além disso, o desenrolar da trama é feito através de uma sequência de ensinamentos, sendo que a aprendizagem acontece com rapidez e deixando a impressão de que tudo é fácil.

A história em si acaba por não ser marcante, mas as técnicas de coaching acabam por serem assimiladas e, quem sabe, utilizadas no futuro. Este é mesmo o ponto mais interessante da obra, uma vez que, de uma forma descontraída, dá a conhecer técnicas que podem ser implementadas na vida do leitor, nos mais diferentes campos.

Nas páginas finais do livro, existe um pequeno índice que recordam e explicam alguns dos conceitos que foram apresentados ao longo da leitura. Desta é reforçada a ideia de que este livro tem o objectivo de dar a conhecer métodos e estratégias que podem levar ao desenvolvimento humano e, desta forma, à felicidade.

A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra é um livro que se lê com facilidade e rapidez. Acredito que esta é uma leitura pertinente para quem sente que a sua vida chegou a uma fase de estagnação e comodismo e deseja fazer uma análise da situação actual para, de seguida, encontrar novos caminhos que conduzam à realização pessoal.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Opinião: Imperador dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #3)

Título Original: Emperor of Thorns (2013)
Autor: Mark Lawrence
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789898855046
Editora: TopSeller (2017)

Sinopse:

Um rei em busca da vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.

Opinião:

Este é o último livro da Trilogia dos Espinhos. Em Imperador dos Espinhos, ficamos a conhecer de que forma Jorg vai lutar para alcançar os seus maiores objectivos: vingar-se do pai e tornar-se no imperador, só para provar a todos de que é capaz de fazer o que bem entender. Se nos livros anteriores fiquei impressionada com a construção e desenvolvimento desta figura, posso desde já desvendar que a evolução de Jorg continua e que Mark Lawrence guardou muitas cartas na manga para terminar em grande esta aventura.

A narrativa principal é contada no ponto de vista de Jorg. Desta forma o autor mostra como trabalha a mente deste protagonista de índole tão duvidosa. É curioso constatar o seu egoísmo, mesmo quando parece estar a fazer algo pelos outros, mais o mais atraente é perceber como as suas estratégias são delineadas. Graças aos livros anteriores, já esperamos que sejam usados métodos pouco convencionais ou dignos para que Jorg consiga obter aquilo que quer, mas não deixa de ser intrigante ver que novos esquemas ele vai colocar em prática.

Após um certo acontecimento, é possível perceber uma certa mudança em Jorg, que acaba por criar maior empatia e por levá-lo num caminho que sugere redenção. Digo apenas sugere, pois tal acabará por ficar ao critério de cada leitor. Ainda assim, é curioso ver o caminho que ele percorre e a forma como teme tornar-se na pessoa que mais odeia. Desta forma, as fragilidades do protagonista ficam latentes.

Existem ainda capítulos referentes a acção que decorre no passado, o que acabam por fornecer informações relevantes para entender o que está a acontecer no presente. Aqui, o que mais me chamou a atenção foi o facto de o autor voltar a dar a ideia de que esta é uma trama que se passa no futuro, havendo por isso a presença de tecnologia avançada. Curiosamente, estes conhecimentos técnicos acabam por parecerem misturados com magia. Existe ainda uma série de capítulos que mostram o ponto de vista de outra personagem e, desta forma, um outro lado da trama e um perigo que se aproxima.

Conforme a leitura vai decorrendo, é possível perceber que se está a aproximar um momento marcante. Apesar de todas estas pistas, nada me levou a adivinhar as reviravoltas que o autor tinha preparado para o desfecho desta grande aventura. A conclusão foi verdadeiramente inesperada. O destino dado a Jorg, os motivos para tal e o confronto final fizeram todo o sentido e fazem com que esta personagem dificilmente desapareça da memória.

Imperador dos Espinhos encerra esta trilogia com chave de ouro. Mark Lawrence manteve-se fiel ao tom da obra e às características do protagonista que criou e ainda conseguiu surpreender com um desfecho inesperado. Acredito que os leitores que ficaram cativados com os primeiros livros vão apoiar as decisões do autor. Esta trilogia foi encerrada com um livro forte.

Outras opiniões a livros de Mark Lawrence:
Príncipe dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #1)
Rei dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #2)

Novidade da Nuvem de Tinta para Abril

Se Eu Fosse Tua, de Meredith Russo
Sinopse: Só porque tens um passado, não quer dizer que não possas ter um futuro. Mudar de escola no último ano e ser a miúda nova do liceu nunca é fácil para ninguém. Amanda Hardy não é excepção: se quiser fazer amigos e sentir-se aceite, terá de baixar as defesas e deixar que os outros se aproximem. Mas como, quando guarda um segredo tão grande? Quando tenta a todo o custo esconder o seu passado e começar uma vida nova? Para piorar as coisas, apaixona-se perdidamente pelo rapaz mais popular do liceu e tudo o que mais quer é contar-lhe a verdade. Será que ele é tão especial quanto parece? Poderá confiar nele? Uma história inspiradora e comovente que nos enche o coração e nos ensina que o amor mais verdadeiro e profundo nasce da coragem de sermos nós mesmos.

Já disponível!

domingo, 16 de abril de 2017

Opinião: Poder e Vingança (Império das Tormentas #1)

Título Original: Hope and Red (2016)
Autor: Jon Skovron
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730344
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)

Sinopse:

Um procura poder. O outro vingança.

Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança.

Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo. Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laden, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…

Opinião:

Diverti-me muito a ler Poder e Vingança, o primeiro livro da trilogia "Império das Tormentas". Jon Skovron apresenta-nos um mundo novo, no qual o mundo conhecido é composto por um conjunto de ilhas. A cação é rápida, tornando-se cada vez mais intensa, o que faz com que a história agarre. As personagens principais têm passados que justificam aquilo em que se tornaram, sendo que as secundárias são um espelho desta nova sociedade.

A trama tem dois protagonistas, cujo ponto de vista surge em capítulos intercalados. Esperança e Ruivo são as figuras que nos transportam para esta aventura. Senti-me mais atraída por Esperança do que por Ruivo devido à história pessoal de cada um. A dela acaba por chocar mais e é também através dela que conhecemos os terrores causados pelos biomantes e ainda a Ordem de Vinchen Contudo, colocando as emoções de parte, vejo que Ruivo tem uma construção mais interessante, devido à forma como se adapta às circunstâncias, mas mantendo um fundo bom.

Desde o principio que sabemos que vai existir um encontro entre os dois, mas a espera revelou-se mais longa do que imaginava. Percebo o motivo para tal ter acontecido, já que foi preciso que os dois construíssem as suas personalidades e criassem as suas próprias histórias antes de se encontrarem, mas ainda assim senti que a trama precisava que Esperança e Ruivo se conhecessem durante mais tempo. É que o tempo que é gasto na criação de laços acaba por ser muito menor e, por isso, fica a sensação de que era preciso mais para fortalecer a ligação entre ambos.

A narrativa é apelativa, tendo sempre algum acontecimento de destaque. A sequência de acontecimentos faz sentido e justifica os motivos de cada personagem. Existem muitos momentos de acção, sendo que a descrição destes é directa e sem espaço para confusões. As relações entre personagens geram interesse, uma vez que tanto mostram laços mais profundos assim como ligações superficiais e de interesse. Os biomantes e os Vinchen acabam por ser inovadores, mas também familiares, já que uns se inspiram nos magos que povoam muito género fantástico enquanto os outros fazem recordar grupos que vivem para o aperfeiçoamento de artes marciais.

O autor criou uma gíria para o povo de Nova Laven, o que foi muito divertido de descobrir. Ao início estava constantemente a ir às páginas finais do livro para perceber o que cada expressão ou palavra queria dizer, mas com o decorrer da leitura já estava a entender tudo. Tanto que, a certo ponto, já dava por mim a pensar com alguns destes novos termos. As classes mais altas também têm particularidades na linguagem, as do povo comum acabaram por ser as mais interessantes. Este pormenor deu uma nova graça à leitura e ajudou a torná-la ainda mais distinta.

Gostei muito desta leitura e fiquei ansiosa para pegar no próximo volume, mas reconheço que existem aspectos a serem melhorados. A história, apesar de me ter conseguido prender à leitura, era previsível. O facto de, em momento algum temer pela vida das personagens de que mais gostei é sinal de que conseguia adivinhar o rumo dos eventos e ainda perceber que os riscos não iriam trazer tragédia real. Os obstáculos poderiam ter maior dificuldade ou serem ultrapassados com maior dificuldade e sacrifício.

Através desta trama fantástica, o autor faz-nos pensar sobre questões da nossa sociedade. A separação entre ricos e pobres . Contudo, o que mais me chamou a atenção foi o papel da mulher. Se em situações comuns, entre as camadas menos privilegiadas, as mulheres parecem ter um estatuto semelhante ao dos homens, entre os mais poderosos tal não acontece. É curioso que o medo de ver figuras femininas em altos cargos de liderança é disfarçado com a ideia da fragilidade e inferioridade da mulher. Esperança e outras figuras conseguem provar que esta discriminação não faz qualquer sentido.

Poder e Vingança é um livro que merece atenção e cuja continuação promete continuar a agarrar. Estou verdadeiramente curiosa para saber que novas aventuras Jon Skovron vai criar para Esperança e Ruivo. Afinal, a conclusão deste livro sugere uma grande mudança e faz acreditar que as prioridades de cada um estão prestes a serem alteradas. Quero muito ler a continuação desta história, que espero que seja publicada com brevidade. Recomendo.

Boa Páscoa!