quarta-feira, 20 de junho de 2012

Opinião: O Feiticeiro e a Sombra


Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: The Earthsea Cycle – A Wizard of Earthsea (1968)
Tradução: Carlos Grifo Babo
ISBN: 9722328174
Editora: Editorial Presença (2001)


Sinopse:

“O Feiticeiro e a Sombra” é o primeiro volume da tetralogia “O Ciclo de Terramar”, de Ursula L- Le Guin. Destina a um público jovem, esta obra está inserida na coleção Estrela do Mar da Editorial Presença, mesma coleção que acolhe Harry Potter e a portuguesa Teodora. Neste livro, o leitor fica a conhecer Terramar, um mundo medieval onde a magia é uma realidade.

Gued, um jovem que aparentava ser igual a tantos outros, descobre aos sete anos de idade que tem capacidades que o distinguem. Dá os seus primeiros passos nesta arte com a ajuda de uma bruxa da sua aldeia, mas depressa capta a atenção de um mago poderoso, apesar  de não o deixar transparecer. Deste modo, Gued é desafiado a viajar pelo mundo na companhia de um novo mestre e, com o tempo, começa a obter cada vez mais conhecimentos e também a ter de enfrentar questões que serão cruciais na sua caminhada até ao título de arquimago.

Opinião:

Este foi um livro que li graças ao conselho de algumas pessoas pelas quais tenho grande respeito. Para quem já leu algumas das fantasias épicas mais em voga atualmente poderá achar esta é um livro  mais pobre, mas dizer apenas isto sem ter em conta toda a sua envolvente seria uma análise superficial. “O Feiticeiro e a Sombra” nasceu em 1968 e consiste no primeiro volume de uma obra que é considerada uma referência por muitos dos autores da área do fantástico.

Gued, protagonista da história, não surge como o tradicional herói, e aqui poderá estar uma das grandes novidades desta obra (mais uma vez, relembro a importância de não esquecer o ano de publicação). Tal como qualquer ser humano, Gued balança entre o bem e o mal, toma atitudes precipitadas, falha, aprende com os erros e pode muito bem voltar a errar.

A sombra que persegue Gued durante um longo momento da narrativa constitui num fator de grande interesse, uma vez que poderá ser vista como uma associação ao lado negro de qualquer ser humano. Gued toma duas atitudes diferentes em momentos distintos: a recusa em reconhecer os erros leva a uma constante fuga de quem é, não o permitindo viver em plenitude, enquanto a aceitação de si mesmo enquanto ser dotado de um lado obscuro e de um lado iluminado apenas poderá levar a um estado de evolução constante.

A escrita é simples e a narrativa tem a capacidade de entreter os mais novos e de iniciá-los na literatura ao mesmo tempo que consegue transmitir mensagens interessantes ao leitor mais experiente ou adulto. Contudo, fica a sensação que tudo acontece demasiado rápido e carece de maior desenvolvimento, para além de que o final deste volume não é propriamente imprevisível.

É uma história bonita, que faz lamentar que não tenha sido lida há mais tempo, numa altura em que a idade e a novidade a teria tornado marcante. Contudo, não me arrependo de ter seguido os conselhos que me foram dados. É um livro que se lê num instante e que, sinceramente, faz surgir a vontade de conhecer todo percurso de Gued.

3 comentários:

addle disse...

Ainda não li o livro, talvez porque já esteja um bocado sobrecarregada deste tipo de histórias. Mas tens razão, temos de ver o ano em que a obra foi lançada. Nessa altura ainda não havia tantos livros com esta temática como agora.

Cláudia disse...

Percebo o que falas.

Paulo disse...

Ois,

Eu adorei esta saga e penso valer bem a pena, até pelo preço dos livros (na argonauta encontra-se os 2 primeiros volumes a 1 €).

Posso garantir-te que os volumes estão muito bons e que não te vais arrepender, vai por mim ;)

BJS