terça-feira, 28 de agosto de 2012

Opinião: Em Chamas (Trilogia Jogos da Fome #2)

Título original: Catching Fire (2009)
Autor: Suzanne Collins
Tradução: Jaime Araújo
ISBN: 9789722344425
Editora: Editorial Presença (2010)

Em Chamas, é o título do segundo livro da trilogia Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins, onde apresentou um mundo pós-apocalíptico governado por um regime totalitário que submete o povo dos diferentes distritos a duras provações que culminam com os jogos da fome, uma batalha sangrenta onde apenas um tributo sai com vida.

Sinopse:
ATENÇÃO! Pode conter spoliers para quem não leu o primeiro livro!

Depois de sobreviver aos jogos da fome, juntamente com Peeta, o tributo masculino do seu distrito, Katniss procura regressar à vida que tinha no passado, mas nada é como era. Ao tornar-se vencedora da dura competição, a jovem consegue assegurar uma boa qualidade de vida para a irmã mais nova e para a mãe, o que não a impede de continuar a fugir para o bosque para caçar, uma actividade que é parte do seu ser. Mas a verdade é que os pesadelos das provações passadas não permitem o sossego, e como se tal não bastasse, Katniss teme pelo futuro, pois aquela que parecia ser a única hipótese de se salvar juntamente com Peeta, revelou ser um ataque directo ao governo do Capitólio que nunca a irá perdoar.

Katniss e Peeta transformam-se em símbolos da oposição ao regime imposto e são vistos como ícones de uma revolução iminente. Por mais que os dois jovens tentem, a verdade é que não conseguem viver em paz e em total liberdade, uma vez que os jogos da fome alteraram as suas vidas mais do que esperavam ser possível. Para além da tomada de consciência das funções de um vencedor da arena, Katniss e Peeta têm que manter a farsa que os permitiu sobreviver no passado.


Opinião:
 

“Tu e o Peeta serão mentores, todos os anos a partir de agora. E todos os anos insistirão no vosso romance e transmitirão os pormenores da vossa vida privada, e tu nunca, nunca poderás fazer nada senão viver feliz para sempre com aquele rapaz.”

Neste volume, Suzanne Collins continua a explorar algumas das temáticas anteriores, tais como o instinto de sobrevivência, a angústia e os limites do ser humano, sendo possível fazer uma reflexão maior sobre outros, muito ligados à nossa realidade e quotidiano. Nota-se um maior foco nas funções dos meios de comunicação social, principalmente na questão da manipulação de massas, método muito utilizado para opressão e controlo social e para incutir ideais e valores. A exploração do reality show levado ao extremo e o prazer mórbido de observar o sofrimento humano são outros elementos que continuam a ter uma presença muito forte.

Contudo, para além de todas as características malignas deste mundo opressivo, os símbolos da revolução estão bem conseguidos. O mimo-gaio, a ave que surge na capa, é uma mistura entre um animal que passou pela evolução natural e um outro que foi modificado geneticamente pelo homem, o que sugere não só uma falha tecnológica mas também uma fuga ao sistema imposto.

Suzanne Collins não criou apenas uma história de entretenimento, mas também um enredo que apela à consciência humanitária. O leitor sente empatia com a personagem principal, deseja que ultrapasse os seus obstáculos e que regresse para junto daqueles que ama, em paz e liberdade, mas quando Katniss expõe os contrastes entre os distritos, e quando revela as suas preocupação, faz pensar em como o fosso social existente na história tanto se assemelha ao existente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo estes últimos explorados pelos primeiros, que dão valor à superficialidade em detrimento ao que é essencial, e que vivem iludidos pelo mundo do espectáculo, sem querer ver o sofrimento do outro lado.

O desenrolar dos acontecimentos é rápido e fornece uma grande quantidade de informação, o que torna a leitura frenética. As passagens que podem fazer parar o ritmo, são as que se referem ao vestuário da protagonista, onde são apresentadas descrições excessivas, se tivermos em conta que se trata de uma personagem que não é cativada por questões mundanas.

Em Chamas consegue agarrar nos melhores aspectos do primeiro volume e dar-lhes um desenvolvimento inesperado. Com uma protagonista forte, humana e com uma grande espírito crítico, este é um livro surpreendente que deixa os leitores a desejar pelo último volume da trilogia. 


Outro livros de Suzanne Collins:
Os Jogos da Fome (Trilogia Os Jogos da Fome #1)

5 comentários:

Liliana Lavado disse...

Li o primeiro e gostei muito. Talvez por isso mesmo tenho receio de ir para o segundo… medo de estragar a boa memória :P …já aconteceu vezes demais.

Cláudia disse...

Olá Liliana! Eu gostei muito da trilogia, mas a verdade é que existem muitas opiniões contrárias(O segundo ainda reúne algum consenso, já o mesmo não se pode dizer do terceiro). Mas, se tiveres oportunidade, tenta dar uma hipótese ao segundo. É intenso e tem uma reviravoltas muito interessantes*

Leitora disse...

Olá Cláudia
Considerei o segundo muito bom mas ainda não li o terceiro.
Boas leituras;)

Cláudia disse...

Olá Leitora!
Eu gostei muito do terceiro, mas já vi opiniões menos boas relativamente a esse. É diferente, mas parece-me apropriado.*

i.blogger disse...

Li o segundo livro e já tive oportunidade de ver o filme também e gostei imenso! Também já li o terceiro e acho que é o melhor dos três e espero que os próximos filmes sejam tão bons como o livro! Parabéns pelo post, está fantástico, resume bastante bem Em Chamas.

Bom fim de semana e boas leituras.

Inês Pereira

http://comunidadefantastica.blogspot.pt/