quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Opinião: A Vidente de Sevenwaters


Autor: Juliet Marillier
Título Original: Seer of Sevenwaters (2010)
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896571993
Editora: Planeta (2011)

Sinopse:

Sibeal entregou-se desde cedo à vida espiritual. Desde nova que sabia que a sua vocação era ser druidesa. Contudo, antes de cumprir os seus votos, Ciarán, o seu mestre, convence-a a passar o verão em Inis Eala, ilha onde estão a morar as suas irmãs com os seus maridos.

Apesar de contrariada, Sibeal acede ao pedido do mestre. Contudo, pouco tempo depois de chegar dá-se um terrível naufrágio perto da ilha. Apenas duas pessoas são resgatadas do mar, um homem e uma mulher. Graças ao seu dom da Visão, a jovem cedo percebe que existe um terceiro sobrevivente, e arrisca a própria vida para o recuperar.

Desde este incidente, que os habitantes de Inis Eala sentem que algo de grave está para acontecer. A verdade vai ficar oculta por muito tempo mas, à medida que é descoberta, faz com que protagonista faça uma viagem interior e perceba quem realmente é e quais as suas intenções.

Opinião:

Juliet regressa a “Sevenwaters”, a série que a tornou numa das escritoras de fantasia mais apreciadas. Contudo, este não é, de forma alguma, o melhor livro da saga.

Em “A Vidente de Sevenwaters”, o leitor acompanha Sibeal, uma jovem de 16 anos que tem a certeza de que vai dedicar a sua vida à espiritualidade. Personagem pouco interessante, que não cria empatia e demasiado previsível. O facto de a história ser narrada na primeira pessoa não entusiasma a leitura. Juliet também deu voz a Felix, o homem resgatado pela candidata a druidesa. Este, tal como a protagonista, também carece de profundidade e não cativa com facilidade. 

Como se não bastasse o facto de as personagens serem desinteressantes, a narrativa demora a desenvolver. Nos primeiros dois terços do livro, parece que nada de relevante acontece. Na última parte surge tudo ao mesmo tempo, mas existe a sensação de que os obstáculos são ultrapassados de uma forma demasiado fácil. A história é fechada com um final rápido, pouco surpreendente e que deixa muito a desejar.

É curioso perceber que apesar de este se tratar de um livro da série “Sevenwaters”, não existe qualquer ação no local que surge no título do livro. Toda a narrativa é passada praticamente em Inis Eala, apesar de as personagens serem descendentes da família que conquistou os leitores nos três primeiros livros e, em certos momentos, referirem o local.

Contudo, é inegável de que a escrita de Juliet continua muito particular, simples mas dotada de beleza. A autora continua a tentar levar as suas personagens a crescerem através dos obstáculos, a atravessar as trevas para encontrar a luz, tal como nos habituo nas suas histórias anteriores.

Terminada a leitura, fica uma sensação de tristeza, afinal Juliet já escreveu livros encantadores, capazes de fazer sonhar, suspirar e ficar com o coração nas mãos. É inevitável pensar no que poderá ter acontecido para que este não apresente a qualidade desejada. Quem a segue o seu trabalho na internet sabe que quando escreveu este livro estava a lutar contra um cancro, que venceu. Sabe-se ainda que não era de todo vontade da autora voltar a Sevenwaters, mas tal teve de acontecer devido à pressão dos editores norte-americanos. 

Fica o desejo de que Juliet volte a escrever sobre o que realmente deseja, de modo a que os leitores voltem a ter acesso às suas histórias belas, nascidas de uma verdadeira inspiração. Este livro não me convenceu, mas fico à espera do próximo trabalho da autora.

2 comentários:

Paulo disse...

Ois ;),

Como já comentamos é algo que já temia, penso que a editora Americana fez mal em pressionar a escritora a escrever mais livros sobre este universo, começa a perder a magia, dai só ter lido até ao herdeiro de sevenwaters :(

Mas pode ter sido uma fase menos má e que agora volte a melhorar, é caso para dizer volta Bridei estás perdoado :D

Cláudia disse...

É triste ver que ela tem vontade de escrever outros livros e não o conseguir fazer por imposições editoriais. Mas estou como tu, sem perder a esperança!