domingo, 7 de outubro de 2012

Opinião: A Filha da Floresta (Trilogia Sevenwaters #1)



Título original: Daughter of the Forest (1999)
Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
ISBN: 9722511971
Editora: Bertrand Editora (2001)

Sinopse:

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.

O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques. Os invasores de fora da floresta, os salteadores do outro lado do mar, estão todos decididos a destruir este idílico paraíso. Mas o maior perigo está dentro do domínio: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por não conseguir separar totalmente a família, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Se falhar, continuarão encantados e morrerão!

Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.

Opinião:

Li A Filha da Floresta já há alguns anos e, para mim, este foi o início de uma trilogia que ainda hoje considero uma das minhas preferidas. Contudo, apercebi-me que os livros mais recentes da autora não me encantaram como os primeiros e isso fez-me questionar: será que fui eu como leitora que mudei, ou será que as tramas de Juliet Marillier ficaram realmente mais fracas? Para tirar a dúvida decidi reler o primeiro volume da Trilogia de Sevenwaters.

As incertezas desapareceram logo nos primeiros capítulos. Quando se pega em A Filha da Floresta, é fácil perceber que este é um livro escrito com o carinho de uma talentosa contadora de histórias. É fácil entrar no mundo místico e encantador de Sevenwaters, cheio de segredos, mistérios, mas também dono de uma beleza única e fácil de imaginar.

Sorcha, a protagonista, é uma personagem com quem é fácil criar empatia. A mais nova de seis irmãos é uma menina mimada por todos, sem ser egocêntrica ou egoísta. Alegre, aventureira e bondosa, sente vocação por cuidar dos mais desfavorecidos. O desenrolar dos acontecimentos vai-se revelar uma verdadeira prova de vida e morte, onde a sua paciência, persistência, amor e fé vão ser testados até ao limite. Existem situações mais dolorosas, que arrepiam o leitor e fazem desejar um destino mais bondoso para a heroína.

As provas que Sorcha tem de enfrentar são de grande dificuldade. Quando tudo parece encaminhar-se pelo melhor, existe sempre uma reviravolta que a faz sofrer mas também amadurecer. A protagonista perde a sua inocência e percebe que o mundo não está dividido entre bons e maus. A dor pode ser provocada por aqueles que considera aliados e a salvação pode estar nas mãos de possíveis inimigos, o que faz com que o sofrimento e esperança estejam sempre presentes na narrativa.

É interessante verificar as personalidades tão díspares dos seis irmãos de Sorcha. Através de uma descrição natural e pouco forçada de atitudes e comportamentos, Juliet Marillier deixa transparecer a verdadeira essência de cada um. Existem um que podem cativar mais o leitor em detrimento dos outros, mas a verdade é que todos estão unidos por uma bonita ligação, pelo amor à irmã mais nova e pela devoção à sua terra.

Apreciei o facto de a autora se preocupar em dar justificações relativamente a comportamentos mais questionáveis de certas personagens. Falo, por exemplo, de Lord Collum ou de Lady Anne. Ao início, o leitor cria antipatia por estas figuras, mas, com o decorrer da trama, surge uma justificação para determinadas ações, o que confere uma nova visão, mais humana e compreensiva.

Inerente à trama, existe ainda a reflexão sobre o bem e o mal. A autora preocupou-se em demonstrar que todos os homens têm o poder do bem e do mal, e que está nas suas mãos decidir o que fazer. Assim sendo, a pátria e a fé podem surgir como impedimentos ao convívio, mas tal não significa que sejam justificativas válidas.

Terminada a leitura, fico feliz por verificar que A Filha da Floresta continua a ser a leitura que me recordava: atraente, bela, forte e capaz de fazer sonhar. Fica a vontade de reler os volumes que se seguem, O Filho das Sombras e A Filha da Profecia, e o desejo de que Juliet Marillier volte a encontrar a inspiração que a levou a escrever tramas tão mágicas.

Outros livros de Juliet Marillier:

7 comentários:

Carla M. Soares disse...

É um dos meus livros preferidos. Tenho tantos à espera de ser lidos, e de repente também eu fiquei com vontade de reler este!

Cláudia disse...

É uma releitura muito agradável. Algumas situações continuam a ser muito emocionantes, apesar de não serem novidade :)

Paulo disse...

Olá,

É sem duvida algo que tambem desejo fazer um dia, reler os livros da Juliet Marrilier, em especial este universo (trilogia apenas lol), Ilhas Brilhantes e Crónicas de Bridei, mas é difícil conseguir reler livros pois temos tanta coisa para ler.

Mas a Juliet é sem duvida especial ;)

BJS

Amanda Trindade disse...

Olá,meu nome é Amanda, sou brasileira e é a primeira vez q venho ao seu blog, e tenho q falar, é maravilhoso, e escolhi esse livro para comentar, pois terminei de lê-lo no início desse ano, e ADOREI!!! A Filha da Floresta me foi indicado pelo nosso amigo Fiacha, e como aqui no Brasil os livros de JM só começaram a chegar no finalzinho do anos passado, recorri aos e-books, mas cheguei a comprar a Filha da Floresta. Nesse livro os meus personagens favoritos são, Sorcha, Finbar, Conor e Red, mas é claro q Sorcha é o q movimenta o livro, acredito q a trilogia toda, não? Ainda estou no início do segundo livro, O Filho das Sombras. Mas continuando a falar de Sorcha, ela é forte, determinada, sabe o q quer, admiro personagens assim, e achei muito interessante o tipo de ligação q ela tem com os irmãos, principalmente com Finbar, outro querido, q infelizmente não deu para Sorcha salvá-lo completamente, mas ao menos ele está vivo e bem, vamos ver o q acontece com essa turminha daqui para frente. Vou deixar meu link aqui, caso vc queria me fazer uma cisita, mas já aviso, o meu blog está no inicinho, mas confesso q está ficando bacan, ao menos eu gosto muito daquele meu espaço, espero q goste tb! :D
http://amandatrindadepalavrasaovento.blogspot.com.br Fico por aqui, abraços e boas leituras!

Cláudia disse...

Olá Amanda! Nunca é tarde para começar a ler Juliet Marillier e ainda bem que a autora chegou ao Brasil. Ela é uma verdadeira contadora de histórias. Espero que aprecies tanto quanto eu O Filho das Sombras e os restantes livros. Bj*

Luisa Bernardino disse...

Sem dúvida a Juliet é a minha escritora favorita. A trilogia de Sevenwaters é maravilhosa. Parabéns Cláudia gostei bastante da tua opinião.

Cláudia disse...

Obrigada Luisa :)