terça-feira, 20 de novembro de 2012

Opinião: O Filho das Sombras (Trilogia Sevenwaters #2)

Título original: Son of the Shadows (2000)
Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
ISBN:
9789722512299
Editora: Bertrand Editora (2002)
 
Sinopse:
 
As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.

A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.

Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?
 
Opinião:
 
Depois de ter relido A Filha da Floresta, ficou a vontade de pegar na restante trilogia Sevenwaters. O livro que se seguia era este, O Filho das Sombras. Quando li estes volumes pela primeira vez, recordo que o segundo foi o meu preferido. Por isso mesmo, foi com algum receio que lhe peguei, pois tive medo que as minhas conceções mudassem. Tal não aconteceu.

É verdade que uma releitura é sempre diferente. A história já é conhecida, o que faz com que exista a ideia de que já não existem surpresas na trama. Como me enganei!

Quando comecei a ler, depressa percebi que existiam tantos pormenores de que não me recordava. Em primeiro lugar, é interessante ver como Juliet Marillier construiu uma trilogia belíssima, fazendo com que cada volume esteja ligado e, ao mesmo tempo, tenha um rumo muito próprio e independente. A protagonista, desta vez é Liadan, filha de Sorcha e Hugh, o par romântico do livro anterior.

Ao início, percebe-se que o ambiente até aquele momento foi de paz, contudo, os perigos voltam para assombrar a família de Sevenwaters e a testar a resistência e coragem dos seus habitantes. No centro da ação está Liada, uma menina que se faz mulher ao longo da leitura e que é dotada das melhores qualidades dos seus pais. Dotada da Visão, tal como o seu misterioso tio Finbar, Liadan depressa percebe que o destino de todos está nas suas mãos.

A protagonista é uma personagem que cativa. Com sentimentos de proteção relativamente aos seus, Liadan coloca de parte os seus desejos, sendo, em momentos iniciais, uma observadora de feitos maiores. Contudo, o destino coloca-a num lugar central e, se a sua mãe ouviu sem contestar os conselhos das Criaturas Encantadas, é com interesse e receio que vemos esta protagonista a seguir os seus instintos, mesmo quando todos dizem que está a caminhar para um lugar de trevas, dor e morte.

Uma personagem tão forte merecia um par à sua altura. E, assim, surge Bran, o Homem Pintado. Chefe de um grupo clandestino, é também um homem com um passado doloroso. E se as suas ações podem parecer, à primeira vista, condenáveis, depressa percebe-se que ele pode ser um bode expiatório dos males praticados por outros. A relação entre os dois é inspiradora e o leitor deseja que os dois encontrem a paz tão distante e ansiada.

Paralelamente existem outras figuras que despertam o interesse. É o caso de Eamonn que, apesar de ser um homem odiado, é também uma personagem muito bem construída. Seria necessário um grande obstáculo para tornar as peripécias mais intensas, e Eamonn revela-se capaz disso. Ambíguo, é complexo e fica a vontade de conhecer melhor o que realmente o move e o porquê de estar fixado em certas questões. 
 
Também a história de Niamh e Ciarán desperta o interesse. Casal condenado desde o início, o seu sofrimento faz despoletar uma certa antipatia por personagens tão acarinhadas do primeiro livro. Eles demonstram como a falta de esperança pode ser destrutiva, deixando o leitor em suspenso, e com vontade de perceber se o amor realmente sarou as feridas profundas que foram infligidas.
 
Com uma narrativa excecional, digna de uma verdadeira contadora de histórias, o leitor depressa se sente encantado por este volume, repleto de magia, esperança, dor, sacrifício e amor.  Tal como a autora disse uma vez durante uma visita em Portugal, todas as suas histórias têm o intuito de demonstrar que a esperança em dias melhores nunca deve morrer para que o final feliz seja alcançado. Essa é uma das particularidades que tornam os seus livros tão inspiradores e admirados.

No final, pode ficar a dúvida: "mas quem é o filho das sombras?". Afinal, existem pistas que apontam para dois lados diferentes e a verdade apenas será confirmada no terceiro volume, A Filha da Profecia

Vencedor do prémio Aurealis de 2000 para Melhor Romance de Fantasia, O Filho das Sombras é um livro que voltou a impressionar-me nesta releitura. Continua a ser um dos meus preferidos de sempre e recomendo-o, sem hesitações.

Outros livros de Juliet Marillier:


3 comentários:

Arttemizza Lia disse...

Este é um dos meus preferidos da saga.

Cláudia disse...

É o meu preferido Arttemizza =)

Amanda Trindade disse...

Olá, gostei tanto dessa livro q estou lendo-o pela segunda vez. A história é fantástica, os personagens bem construídos e a escrita de Marilier, impecável.

Gostei tb muito de sua resenha e blog, estou te seguindo.

Abraços e boas leituras!!!


http://ameninaeovento2.blogspot.com.br/