sábado, 10 de novembro de 2012

Opinião: Prazeres Inconfessos (Série Anita Blake #1)



Título original: Guilty Pleasures (1993)
Autor: Laurell K. Hamilton
Tradutor: Leonor Bizarro Marques

ISBN: 9789895577880 
Editora: Gailivro (2011)

Sinopse:

Monica Vespucci usava um crachá que dizia “Os Vampiros também são Pessoas”. Não era um início de noite prometedor. Tinha cabelo curto, habilmente cortado, e uma maquilhagem perfeita. O crachá devia ter-me alertado para o tipo de despedida de solteira que planeara. Há dias em que sou demasiado lenta a perceber as coisas. “Eu usava jeans negros, botas até ao joelho e uma blusa carmesim, de mangas compridas, para esconder a bainha da faca que trazia no pulso direito, e as cicatrizes no meu braço esquerdo. Deixara a minha arma na mala do carro, pois não achava que a despedida de solteira se pudesse descontrolar por aí além…”   

Opinião:

Prazeres Inconfessos é o primeiro livro de uma colecção que já atingiu os 20 volumes, de autoria de Laurell K. Hamilton. A autora apresenta um mundo alternativo, onde vampiros, lobisomens e outras criaturas sobrenaturais coexistem com humanos. Esta ideia pode fazer lembrar a série de Sookie Stackhouse criada por Charlaine Harris – editada em Portugal pela Saída de Emergência – e popularizadas pela série televisiva True Blood, mas é necessário ter em conta que Hamilton escreveu o primeiro livro desta colecção oito anos antes de Harris.

Neste primeiro livro, o leitor fica a conhecer a heroína Anita Blake, uma mulher de personalidade forte e com uma profissão muito peculiar.

“Antes de mais sou uma animadora. Caçar vampiros é… uma actividade paralela”

Anita é uma humana, com estranhas capacidades. Além de ajudar as autoridades a apanhar vampiros que atentam contra a vida humana, ainda é capaz de convocar ou desconvocar os mortos. Sim, estou a falar de zombies, e sim, é isso que significa ser “animadora”.

A trama inicia-se quando Anita é convidada para a despedida de solteira de uma das suas poucas amigas. Pouco dada a momentos de divertimento nocturno, a caçadora aceita sair, sem desconfiar que a noite pode não correr como imaginava. Contra a sua vontade, é levada para o Prazeres Inconfessos, um clube de strip de vampiros que pertence a Jean-Claude, um dos poucos mestres da cidade.


A animadora vai ser apanhada numa armadilha preparada pela vampira mais antiga da cidade, para a obrigar a ajudar numa investigação. Para defender a vida de inocentes, a jovem não consegue recusar e inicia uma aventura para ajudar seres que despreza.

Aquele que parece ser mais um romance paranormal igual a tantos outros que surgem no mercado, revela-se uma boa surpresa. Uma heroína que está focada nos seus valores e na concretização dos seus objectivos e, por isso, coloca os seus desejos e sentimentos de parte para um bem maior. A capa desta edição pode enganar um pouco o leitor e dar a ideia que o ponto principal da narrativa envolve um romance, mas não é isso que acontece, pelo menos com este primeiro livro da série.

Com uma escrita simples, Hamilton oferece ao leitor descrições precisas e momentos de humor negro que enriquecem a narrativa.

“É difícil usar uma arma em St. Louis no verão (…) Se usarmos um casaco para cobrir a arma derretemos de calor e se guardamos a arma na mala de mão, somos mortas, porque nenhuma mulher consegue encontrar nada dentro da mala, em menos de doze minutos. É uma regra.”

Laurell K. Hamilton apresenta uma história cheia de acção, mistério, muita sedução e uma heroína que consegue marcar a diferença. Contudo, esta série poderá ter sido mais marcante na época em que foi lançada, uma vez que o mercado literário já possui outros bons exemplos de livros que são facilmente comparáveis a este.

Prazeres Inconfessos é uma leitura agradável, para quem gosta da junção do género policial com o fantástico e de heroínas distintas, com questões morais pertinentes e capacidade de alterar alguns das suas ideias mais vincadas. 



Outros livros de Laurell K. Hamilton:
O Beijo das Sombras

2 comentários:

Liliana Lavado disse...

Esta série é muito boa e por isso mesmo merecia uma capa um bocadinho mais bonita.
Este é horrível e não transmite em nada o ambiente da história...

Cláudia disse...

Andei durante muito tempo de pé atrás com esta série por causa da capa. Dava uma ideia completamente diferente.