quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Opinião: A Rainha Predileta

Título original: The Favored Queen: A Novel of Henry VIII's Third Wife (2011)
Autor: Carolly Erickson
Tradutor: Marta Teixeira Pinto
ISBN: 9789722524131
Editora: Bertrand Editora (2012)

Sinopse: 

Filha de uma família nobre e ambiciosa, Jane Seymor é enviada como aia de Catarina de Aragão, a mulher de Henrique VIII. Muito dedicada à rainha, é com tristeza que Jane assiste às manipulações de Ana Bolena para se tornar rainha, que incluem o homicídio de alguém que sabia um segredo seu. Também Jane se torna vítima do ódio de Ana quando esta descobre o interesse do rei pela aia. Como Ana Bolena não lhe consegue dar filhos, o rei pede a Jane que seja a sua próxima rainha. Dividida entre o seu coração e a lealdade ao rei, Jane tem uma difícil escolha a fazer.

Opinião:


Sempre me senti curiosa em relação à época Tudor e por isso é gosto de ler livros sobre os protagonistas deste período da história do Reino Unido. A Rainha Predileta, de Carolly Erickson, é um livro focado em Jane Seymour, a terceira esposa de Henrique VIII e mãe de Eduardo VI.

O leitor assiste à passagem de Jane pela corte, desde que se encontra entre as aias da rainha Catarina de Aragão até ao momento da sua morte, poucos dias depois de ter dado à luz o tão desejado herdeiro do Reino.


Tendo em conta que as histórias das duas esposas de Henrique VIII costumam ser as mais exploradas, foi com um sentimento de grande curiosidade que iniciei esta leitura. A narração, feita na primeira pessoa, permite ao leitor ter acesso direto a esta Jane, tão devota à rainha e muito dedicada aos seus valores pessoais. O facto de Jane ser uma aia fornece uma visão interessante sobre as atividades femininas da época, nomeadamente no que toca aos mexericos. Este teor aumenta com a ascensão de Ana Bolena, a mulher que levou o rei a romper com a igreja de Roma de modo a obter o divórcio da primeira mulher.
 

Ao longo da leitura, percebi que a trama estava mais centrada no papel de Jane nos séquitos das rainhas que a precederam do que nos seus feitos enquanto soberana. É verdade que Jane esteve casada com o rei apenas um ano, mas esperaria ter visto uma maior exposição da sua vida matrimonial. A sua adaptação ao trono pareceu demasiado natural, apesar da pretensão do rei ter sido apresentada como uma verdadeira surpresa.

A escrita de Carolly Erickson é fluida e, por momentos, demasiado simples. As suas personagens são apresentadas de um modo demasiado básico, carecendo da profundidade necessária para as tornar marcantes e credíveis. Isto pode ter acontecido devido ao facto de o livro ser tão pequeno e apresentar uma ação que decorre num período de tempo longo, já que certas mudanças de comportamento de Jane não parecem bem fundamentadas. Contudo, estas não seriam consideradas estranhas se a autora se tivesse debruçado mais na exploração do crescimento da sua protagonista.
 

A Rainha Predileta é um livro que proporciona uma leitura interessante, com algumas curiosidades históricas que não costumam ser apresentadas, mas que deixa a sensação de que abordou o tema de uma forma demasiado superficial. Quem aprecia romances históricos vai sentir falta de um outro tipo de abordagem, onde a vida e os costumes da corte são expostos, assim como de que forma as circunstâncias da vida modificam a personalidade e comportamento de uma personagem.
 

Os factos históricos importantes estão fiéis à realidade, mas teria sido muito melhor se a autora pudesse ter escrito sobre este mesmo tema num livro com o dobro de páginas, no mínimo.

1 comentário:

Chaise Longue disse...

A minha opinião deste livro coincide bastante com a tua ;)

Estava a espera de mais, é um tema que tem pano para mangas e teria dado à vontade um livro maior e mais detalhado.

beijinhos e boas leituras