sexta-feira, 8 de março de 2013

Opinião: Direitos de Sangue (Casa das Comarré #1)

Título Original: Blood Rights (2011)
Autor:  Kristen Painter
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789892321639
Editora: Asa (2013)

Sinopse: 

Chrisabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas.

Opinião:


Sempre gostei muito de vampiros, e por essa razão, quando surge um livro que aborde o tema eu sinto-me muito tentada a ler. Por esse motivo, quando vi Direitos de Sangue não resisti.

Este é o primeiro volume de uma saga composta, até ao momento, por quatro livros. Quando o comecei a ler, fiquei muito interessada por saber mais sobre este universo. Kristen Painter dá-nos as boas-vindas à sua obra através de cenários negros e de uma sociedade oculta muito cativante. Existe um pacto secreto que separa a realidade humana da sobrenatural, de forma a criar harmonia e a garantir a segurança das duas fações. Ficamos a conhecer uma nova organização de sociedade que é composta por vampiros, fae, varcolai e outros seres. Apreciei a ligação entre estes elementos e o facto de a autora ainda associar a origem deste mundo à queda de anjos, numa inspiração religiosa.

Sendo assim, o cenário construído tem bastantes pontos fortes e podia servir de base para uma grande trama. Sim, escrevi “podia”, pois não foi isso que aconteceu.

A protagonista, Chrisabelle, é uma comarré, o que quer dizer que é uma humana criada e educada com o objetivo de servir e alimentar o nobre vampiro que pague os seus direitos de sangue. Chrisabelle é bonita, a sua pele está coberta de signums (um género de tatuagens douradas), é atlética, inteligente, corajosa, excelente lutadora e possui muitas mais qualidades. Conclusão: é desinteressante. Ao longo de todo o livro vemos esta heroína a mostrar o quão perfeita é sem nos sentirmos minimamente ligados a ela. A personalidade dela não convence e parece demasiado forçada, de modo a adaptar-se da melhor forma a todas as situações.

Depois de Chrisabelle, a personagem com maior foco é Malkolm. Malk é um vampiro marginal e constitui a típica personagem masculina com um físico extremamente atraente mas que é atormentado por um passado doloroso que não o leva a confiar facilmente em alguém. Como se tal não bastasse, ainda se debate com uma maldição que o torna perigoso e, por isso, não se considera digno de estar próximo da nossa bela heroína. Como seria de esperar, Chrisabelle e Malkolm sentem uma atração imediata. Durante todo o livro vemos eles os dois completamente rendidos um ao outro mas sem o confessarem.


Para além de vermos a trama sobre a perspetiva de Chrisabelle e Malkolm, também temos acesso ao ponto de vista de Tatiana, a vilã. Aqui, o único ponto interessante é a ligação que ela faz com os Castus, anjos caídos que deram origem aos vampiros. De resto, é apenas uma mulher má, muito má, que mata sem remorso, que gosta de torturar e que quer ser toda-poderosa. Querida Tatiana, todos nós já percebemos que és apenas mais um peão neste jogo, encontra outro hobbie.

Quanto à narrativa em si, o início é um pouco lento, muito centrado nas personagens e suas emoções. Já o desenrolar da ação é demasiado rápido, o que faz parecer que todas as dificuldades são ultrapassadas num estalar de dedos. Gostaria de ter visto mais impedimentos, mas não…



E se a história não está nada demais, as incongruências encontradas fazem-nos se alguém leu o livro antes de o publicar. Ora então vejam alguns exemplos:




Terminado o livro, fiquei com a sensação de que Direitos de Sangue tinha tudo para ser um bom livro. Gostaria de ter visto a mitologia mais explorada, personagens bem construídas e uma trama que fizesse sentido, mas tal não aconteceu.

2 comentários:

Pedro Pacheco disse...

Sempre gostei de vampiros mas esta onda (que felizmente começa a desaparecer) que surgiu no mercado literário depois do Twilight está a começar a fazer-me odiar vampiros. A história é sempre a mesma: um gajo vampiro todo bom que tem um problema qualquer que faz com que não possa ficar e namorar com uma gaja toda boa que é uma coitadinha mas ao mesmo tempo perfeita. E depois vêm, claro, as incongruências que referiste acima e que, neste livro, são ridículas. Enfim, que alguém bana estas histórias YA vampirescas do mercado literário porque agora já só servem de papel higiénico.

Abraços e boas leituras.

MissB disse...

Eu gostei deste livro até, apesar de não ser super espetacular é giro de ler :) contudo, vou partilhar a minha opinião porque não concordo com esta parte aqui:

"Exemplo 1: Sempre que sente cheiro de sangue, Malkolm tem imensa dificuldade em se controlar. Ele não bebe da veia há mais de 50 anos pois a maldição condena-o a matar a sua vítima. O sangue de Chrisabelle é um dos mais puros e cobiçados pelos vampiros. Agora que já estão enquadrados, analisem lá isto comigo: Há uma situação em que a Chrisabelle se corta e deita uma gota de sangue. O Malk está por perto, fica completamente fora de si e tenta matá-la. Existem personagens que os afastam e apaziguam os ânimos. Momentos a seguir, Chrisabelle aparece no quarto no Malk com um copo cheio do seu sangue, acabadinho de encher. Ele fica a ponderar no que há-de fazer. Sim, uma gota deixa-o descontrolado, mas copo cheio não. Faz sentido?"

Eu acho que faz :) ele fica sem saber o que fazer com o copo porque é diferente de ela ter uma ferida aberta por exemplo, já que ele tem medo de "esvaziá-la" se beber dela e dessa forma de matá-la, o que faz sentido. Ele só tem medo que a besta dentro dele tome conta dele e que isso acaba por matar a mulher que ama. O copo de sangue é um pouco diferente, acho que ai o orgulho masculino entra um pouco em ação ahahah

Com o segundo exemplo concordo, vampiros não se podem matar uns aos outros bla bla bla mas a Tatiana é morta... sim, fazia todo o sentido realmente :P