sexta-feira, 17 de maio de 2013

Opinião: O Terror (volume 1)

Título original: The Terror (2007)
Autor: Dan Simmons
Tradução: Ester Cortegano
ISBN: 9789896373290
Editora: Edições Saída de Emergência (2011)

Sinopse:


Na primavera de 1845, Sir John Franklin comanda uma expedição de dois navios e 130 homens numa viagem arrojada para o distante e desconhecido Árctico. O seu objectivo: encontrar e mapear a lendária Passagem do Noroeste que, supostamente, ligará os oceanos Atlântico e Pacífico.
Dois anos depois, a expedição, que começou sob um espírito de optimismo e confiança, enfrenta o desastre. Franklin está morto. Os dois navios (o Erebus e o Terror) estão fatalmente presos nas garras do gelo. As rações e o carvão escasseiam e os homens, mal preparados, lutam diariamente para sobreviver ao frio letal. Mas o seu verdadeiro inimigo é bem mais aterrorizador. Existe algo à espreita nas trevas glaciais: um predador oculto que captura marinheiros e abandona os seus corpos na vastidão de gelo…


Opinião:
Dan Simmons foi um dos primeiros autores a serem publicados na Colecção Bang! da Edições Saída de Emergência, com o clássico A Canção de Kali, em 2005. Passados 6 anos a editora volta a apostar em Simmons, primeiro com a reedição de Clube de Patifes, pela chancela Camões & Companhia e mais recentemente com o primeiro volume de O Terror, incluído na colecção dedicada ao fantástico, horror e ficção científica.

Baseado no misterioso e trágico desaparecimento dos navios Terror e Erebus que transportavam 130 homens comandados por Sir John Franklin, O Terror mistura a pesquisa histórica com o suspense e o horror associado ao que parece ser impossível e mora nos medos humanos.

Sir John Franklin organiza uma expedição ao Ártico. Os preparativos são efectuados com um espírito optimista, mas existem sinais de mau presságio que são ignorados, tal como acontece quando a sua mulher, numa noite em que viu o marido adormecido a tremer, o tentou aquecer com algo que lhe estava próximo:

“Meu Deus mulher, não sabe o que fez? Não sabe que depositam a bandeira de Inglaterra por cima dos cadáveres?”

Os navios partem a 19 de Maio de 1845. São vistos pela última vez em Julho do mesmo ano. A expedição fica presa no gelo e inicia-se uma verdadeira luta pela sobrevivência. As rações e o combustível são racionalizados. Procuram animais para conseguirem obter carne fresca, mas sem sucesso. Os homens tentam resistir ao frio mortal, mas descobrem que algo muito mais temível existe naquele local: um ser que não é possível identificar mata os marinheiros e abandona os seus corpos.

“Que espécie de malévola inteligência mata mas não come toda a sua presa num inverno sem caça como aquele, mas prefere devolver a parte superior do cadáver de William Strong e a inferior do jovem Tom Evans? (…) Os homens sabiam. Crozier sabia o que eles sabiam. Eles sabiam que era o Diabo que estava lá fora no gelo, não um urso polar que crescera demais.”

Dan Simmons desenvolve um romance intenso que expõe os limites da resistência humana. O livro é narrado no ponto de vista de diferentes personagens, o que permite ao leitor ter uma visão mais completa do drama e dos terrores vividos, uma vez que mais vertentes do instinto de sobrevivência são exploradas.

Surgem muitas incógnitas ao longo da leitura. O leitor interroga-se pela natureza do ser aterrorizador que surge sem aviso e mata de forma cruel. Vai querer saber quem é a jovem esquimó Silêncio, de onde surgiu e qual vai ser a sua função na história. Vai querer assistir às atitudes dos marinheiros perante aquela situação desesperante, assim como vai desejar saber o destino que o autor lhes vai dar.

A linguagem náutica pode ser um pouco confusa para os menos entendidos na matéria, ou até apresentar momentos em que o interesse diminui, mas as aflições humanas e as descrições precisas sobre os efeitos corporais às temperaturas demasiado baixas, constituem elementos credíveis e arrepiantes.

O primeiro volume de O Terror agarra o leitor e promete uma continuação surpreendente. Esta obra leva a perceber o porquê de Dan Simmons ser o vencedor de importantes prémios literários tais como World Fantasy, Bram Soker, British Fantasy ou Hugo. Um autor que deve ser conhecido e reconhecido.

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