sábado, 16 de novembro de 2013

Opinião: Inferno (Robert Langdon #4)

Título Original: Inferno (2013)
Autor: Dan Brown
Tradução: Fernanda Oliveira, Ana Lourenço e Tânia Ganho
ISBN: 9789722526449
Editora: Bertrand Editora (2013)

Sinopse:

«Procura e encontrarás.»

É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.

Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.

Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…

Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.

Opinião:

Inferno retoma as características das obras anteriores de Dan Brown protagonizadas por Robert Langdon. Mais uma vez, o simbologista de Harvard vê-se envolvido numa investigação que o levará a analisar conhecidas obras de arte e literárias, assim como a viajar por países de longa história.

A narrativa começa de uma forma peculiar. Robert acorda num hospital em Florença, mas as suas últimas memórias não o fazem recordar qualquer viagem ou mesmo o motivo que o terá levada a essa cidade italiana. Logo aqui, é possível perceber que existem muitos segredos, para além do mistério principal, o que intriga o leitor.

A capacidade de observação e análise do protagonista voltam a ser grandes atrativos para a leitura. Afinal, à medida que ele tenta perceber o que está a acontecer, acaba por nos transportar para uma viagem pelo presente mas também passado. O Renascimento volta a ser a época escolhida pelo autor que, desta vez, tenta explorar Dante e a sua obra.

Figura história que gera curiosidade e admiração, Dante é exposto como autor de uma das obras literárias mais referênciadas e influenciáveis de sempre. Contudo, é também visto no ponto de vista humano, já que, como homem do seu tempo, amou e sofreu, factores condicionantes para o seu papel na história. A exposição da sua obra assim como a de outras peças artísticas nela inspiradas são cativadoras.

A trama em si, contudo, não é tão envolvente como seria esperado e desejado. Ao contrário de O Código da Vinci ou de Anjos e Demónios, livros que me agarraram do ínicio ao fim, Inferno custou a arrancar. As primeiras páginas são emocionantes mas, de um momento para o outro, o ritmo abranda e os acontecimentos apresentados não motivam. Só bem mais à frente é que a emoção regressa e são feitas revelações inesperadas, mas fica a sensação de que o que se passou anteriormente depressa será esquecido.

O tema que é exposto mais perto do final incomoda pela sua verdade e faz reflectir sobre o futuro, facto interessante num trama tão voltada para acontecimentos passados. As personagens secundárias, contudo, não cativam, sendo que algumas parecem forçadas. Certas reviravoltas nos comportamentos de algumas figuras não surpreendem para além de que não se percebe a necessidade de o protagonista ter de se envolver com uma mulher diferente a cada livros.

Mais uma vez, o ponto forte de Dan Brown revela ser a exposição de obras artísticas, a exploração de temas passados pouco conhecidas e a descrição de cidades e respectivos pontos de referência e monumentos. É bom percorrer as ruas de Florença nestas páginas, conhecer os seus museus e, mais tarde, entrar numa cultura distinta com a passagem da acção para Istambul.

Inferno é um livro que proporciona uma leitura interessante, mas que não supera as expectativas que foram criadas, ficando áquem de outras obras do leitor. Uma leitura simples mas que fazia ansiar por um envolvimento maior.

2 comentários:

D. Santos disse...

Eu amei este livro, foi simplesmente divinal, mas tenho de confessar que achei o anterior muito melhor, o Símbolo Perdido. Para mim, esse sim, foi fantástico.
Boas leituras!

Cláudia disse...

Ainda não li "O Símbolo Perdido", mas agora fiquei curiosa. Obrigada S. Santos!*