segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Opinião: Os Adivinhos (Os Adivinhos #1)

Título original: The Diviners (2012)
Autor: Libba Bray
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 9789892324692
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouso saudável obsessão pelo oculto.
Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.
Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou.

Opinião:

Os Adivinhos foi, para mim, uma das grandes surpresas literárias deste ano. Libba Bray conseguiu criar uma trama envolvente onde não faltam momentos de tensão, acção e até comédia. A autora une a euforia de Nova Iorque dos loucos anos 20 à intriga digna de um policial, ao misticismo de uma história de fantasia e ao suspense de um enredo de horror, dando origem a uma obra original e refrescante.

Evie é a protagonista deste livro que marca o início de uma trilogia. Não é fácil gostar desta personagem nas primeiras páginas. Dona de uma personalidade vincada, revela-se egoísta, superficial, egocêntrica, teimosa e com necessidade de se destacar. Contudo, o facto de Evie não ser a típica menina correcta é, sem dúvida, uma mais-valia, Afinal, esta jovem divertida e inesperada acaba por provar que muito do que demonstra não passa de uma máscara criada para afastar sofrimento e que muitas das suas atitudes acabam por ser bem-intencionadas. Ao longo da narrativa ela evolui, começa a olhar mais para os outros e a ter em consideração os seus sentimentos. O seu sentido de humor, porém, permanece inalterado, o que faz dela uma jovem refrescante e muito atraente, mesmo nos momentos em que parece não estar a ser correcta.

Evie é o motor desta trama, mas acaba por estar rodeada de outras figuras que também possuem uma grande força. Destaco Will, o tio de Evie que sugere um passado interessante e que condiciona as suas ações ao longo da história; Jericho, um rapaz que revela ser mais do que aparenta numa primeira análise; Theta, uma corista irreverente que esconde uma profunda dor; Sam, um rapaz que tem tanto de galante como de aldrabão; e Mabel, uma menina doce e romântica que não ousa desafiar as ordens dos pais. Todas estas personagens apresentam uma dimensão credível, são mutáveis e propiciam momentos pertinentes para o desenrolar da narrativa.

O enredo é cativante e está muito bem conseguido. A autora sabe como fazer o leitor agarrar-se à leitura. Inicialmente, parece tratar-se de uma trama mais leve, mas com o desenrolar da narrativa vai-se assistindo a um crescer da intensidade do clima, dos acontecimentos, assim como da complexidade da história. As luzes e animação das festas de Nova Iorque acabam por dar lugar ao negro de locais onde decorrem crimes e onde grandes segredos se escondem. Esta dualidade está bem conseguida e é aliciante. Em todo o livro existe uma deliciosa combinação entre a comédia, o suspense e até o horror. É impossível não sorrir com algumas das expressões de Evie ou de não ficar perturbado com alguns dos cenários mais macabros. A resolução do caso é coerente e convence.

As descrições existem na medida certa e transportam facilmente para a época. Quase que é possível ouvir os sons da cidade, assistir ao movimento nas ruas, perceber a animação das festas e sentir a expectativa por um futuro iminente que sugere estar repleto de grandes inovações e conquistas. Já os momentos mais negros, conseguem incomodar e isso é ótimo. Com o passar das páginas, percebe-se que o clima de terror aumenta. Os cenários de crime estão bem conseguidos pela sua execução e a proximidade das vítimas momentos antes de estas serem executadas faz surgir um peso acentuado quando se dá a concretização do crime. É inevitável desejar que tal não aconteça, afinal já se criou uma afeição à personagem. 

O conceito de "Adivinhos" é apresentado mas acaba por não ter sido exposto na sua plenitude. Percebe-se que existem diversas pessoas dotadas de capacidades sobrenaturais únicas e que estas têm um papel maior na salvação do mundo do que poderiam imaginar. Contudo, nada disto é realmente revelado. Existem certas personagens mais misteriosas que acabam por sugerir estas ideias e que deixam no ar a noção de que algo de importante e perigoso está a chegar, mas tal não é desenvolvido neste volume. Resta então esperar pelos próximos livros desta trilogia para perceber até onde Libba Bray irá explorar os seus "Adivinhos".

Os Adivinhos é uma leitura impressionante. Repleta de surpresas e muita emoção, é sem dúvida uma publicação que vai fazer as delícias dos fãs de romances sobrenaturais repletos de mistério e ação. Recomendo!

Nota:
Não esqueçam que estou a sortear um exemplar deste livro aqui. Participem no passatempo!

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