quinta-feira, 20 de março de 2014

Opinião: Vejo-te (Trilogia Dei Sensi #1)

Título Original: Io ti guardo (2013)
Autor: Irene Cao
Tradução: Fátima Alice Rocha
ISBN: 9789896722081
Editora: Suma das Letras (2014)

Sinopse:

Se fosse possível capturar o prazer, Elena fá-lo-ia com os olhos. Com vinte e nove anos, de uma beleza inocente mas vistosa, ainda não sabe o que é a paixão. O seu mundo gira à roda do fresco que está a restaurar num palácio em Veneza, a cidade em que nasceu. Mas tudo muda quando conhece Leonardo, um chef de fama internacional, que irrompe na sua vida, arrasando tudo: a recente história de amor com Filippo, a ideia que sempre teve de si própria e, principalmente, a sua forma de viver o sexo.
Porque Leonardo, inquilino inesperado do elegante palácio em que Elena trabalha, chegou para lhe abrir as portas de um paraíso inexplorado cujas chaves só ele possui. Mestre na arte de dar prazer através das suas criações culinárias, Leonardo sabe que o prazer é uma conquista de todos os sentidos. E promete levar Elena para lá dos seus limites, até ao doce e perigoso abismo da obsessão. Mas sob uma condição: Elena nunca poderá apaixonar-se por ele. Elena não tem alternativa senão aceitar e deixar-se seduzir por aquele homem de passado obscuro, que parece fugir do seu desejo de o amarrar…

Opinião:

Vejo-te é o primeiro volume de uma trilogia erótica de autoria de Irene Cao.A autora transporta-nos para Veneza, uma cidade conhecida por inspirar o romantismo e pela forte componente história, visível nas ruas, edifícios e arte. E apesar de esta ser uma história que passa pela descoberta de um novo lado da sexualidade e pelo autoconhecimento, a verdade é que todos os componentes inerentes à cidade acabam por estar bem presentes e explícitos ao longo da leitura.

Elena é a protagonista da trama. Uma mulher completamente empenhada num novo projecto profissional e que acredita ter uma vida independente e estabilizada. Elena é doce, tímida, pouco preocupada com a aparência e devota aos seus amigos. Contudo, logo se percebe que também se trata de uma mulher que nunca viveu um grande romance, apesar de acreditar que sim. Com o decorrer das páginas, nota-se que Elena nunca se conseguiu entregar completamente a um homem, muito porque nunca se sentiu completamente apaixonada.

Nesta trama, existe um triângulo amoroso interessante pelo facto de apresentar duas opções completamente distintas e onde Elena é a figura central. Por um lado existe Filippo, um amigo antigo que sempre acompanhou Elena e com quem a protagonista partilha gostos e ideias. Logo se percebe que entre estas duas figuras existe uma grande cumplicidade e que apenas Elena não percebe no quão bem pode resultar uma relação. Mas depois surge Leonardo, o típico homem vivido, misterioso, galante e sedutor que pode não agradar imediatamente por se encontrar dentro de um estereotipo cada vez mais presente em literatura erótica. Elena sente-se imediatamente atraída por ele apesar de reconhecer o perigo. As hesitações e os receios da protagonista contagiam e fazem o leitor sentir-se um amigo confidente, sendo que a vontade é estar ao seu lado a aconselhá-la.

Os dois homens apresentados acabam por dividir Elena e até mesmo o leitor. Por um lado, existe a vontade de que a protagonista escolha o amigo, por ser alguém seguro e completamente devoto, mas nota-se que falta uma paixão intensa e avassaladora. Por outro lado, Leonardo é um sarilho em pessoa. Ele não quer compromissos, apenas diversão, o que não fornece qualquer ideia de segurança. Contudo, é um homem intensos que desperta a mulher sensual que Elena pode ser. A divisão criada no leitor é interessante e estimula a leitura. As escolhas de Elena podem não ser todas compreendidas, mas a vontade de viver de forma intensa e de arriscar é palpitante. É interessante ver de que forma a protagonista rompe com os seus ideais e parte numa aventura onde sabe que pode sair magoada. 

Existe uma outra personagem que apesar de secundária tem um grande peso na vida de Elena. Trata-se de uma amiga de infância que represente o oposto da protagonista. Extrovertida, namoradeira e exagerada dá a ideia de ser alguém completamente superficial. A forte influência que tem em Elena acaba por a levar por caminhos que nem sempre são os desejados pelo o leitor, o que a torna numa personagem pouco apreciada, para além de que a relação que mantém com a protagonista não é bem compreendida.

Com o decorrer da narrativa, é evidente de que este livro é muito diferente de outros dentro do género que apesar de estarem em tops de vendas não possuem grande substância ou desenvolvimento. Vejo-te é um romance estimulante, que agarra desde a primeira página e que mostra que as escolhas  acarretam consequências. Para além do mais, a viagem que é feita por Veneza deixa conhecer uma cidade turística pelo ponto de vista de um residente, o que acaba por trazer novidades.

Vejo-te é um romane leve, devido à trama fácil de compreender e ao estilo de escrita simples, mas que marca a diferença dentro do género. Irene Cao dá a conhecer uma história que agarra, que está envolta por um cenário cativante e que termina de uma forma esperada e que deixa adivinhar que existe muito mais por evoluir. Fica a vontade de acompanhar a trilogia.

1 comentário:

Catarina Ferreira disse...

Gostei imenso da tua análise sobre o primeiro livro desta trilogia.
Aguçou o apetite e decidi ler ;)
Já li o primeiro e o segundo livro e, até agora, não fiquei desiludida.
Espero que o terceiro tenha o final que merece (ainda não fui ler a tua critica do terceiro e só a irei ler depois).
Continua o bom trabalho :D

https://catarinaferreirachoice.blogspot.com