quinta-feira, 10 de abril de 2014

Opinião: Convergente (Divergente #3)

Autor: Veronica Roth
Título Original: Allegiant (2013)
Tradução: Alcinda Marinho
ISBN: 9789720043832
Editora: Porto Editora (2014)

Sinopse: 

A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas.Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor.Alternando as perspetivas de Tris e Quatro, "Convergente", encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores em todo o mundo, revelando por fim os segredos do universo Divergente.

Opinião:

Conclusão da trilogia "Divergente", foi com curiosidade que iniciei a leitura de Convergente.A acção deste livro é iniciada no momento em que Insurgente, o segundo volume, terminou, o que deixa no leitor a sensação de que não deixou escapar nada da história. Neste volume, logo se percebe uma grande novidade: se os dois anteriores foram totalmente relatados na primeira pessoa por Tris, este também apresentada capítulos que incidem em Tobias (Quatro). Este facto é de grande relevância já que não só dá a conhecer mais intimamente outra personagem como ainda fornece uma visão mais alargada dos acontecimentos.

Logo no início fiquei com a sensação de que nos primeiros livros a autora deu-nos a conhecer apenas um aquário. Em Convergente é apresentado o oceano. As personagens que acompanhámos até aqui estavam confinadas a um espaço limitado e eram muitas as dúvidas sobre o que acontecia para lá dos limites da cidade que habitavam. Sendo este mistério desvendado, percebe-se que se está perante um mundo muito maior e mais complexo do que aquilo que inicialmente se imaginava e isso é um choque para as personagens e para os leitores. É preciso assimilar mais informação e é através dela que a razão de a sociedade de Tris ser como é. Isso está muito bem conseguido.

A relação das personagens com esta nova realidade é também interessante. Pode-se observar diferentes tipos de reacções, mas o mais interessante é que o crescimento de todas elas é bastante evidente. Tris continua a ser a jovem corajosa e apaixonada que conhecemos no primeiro volume, mas está mais dura e desconfiada, o que é resultado do tudo o que viveu. Tobias, que no início parecia um jovem imbatível e muito sagaz, acaba por se revelar mais inseguro do que sugeria. E é ainda de salientar que muitas das figuras que eram tidas como "boas" e "más" acabam por se revelar mais do que isso, o que confere um aspecto mais humano a cada uma.

Uma das minhas grandes críticas aos livros anteriores desta trilogia, consistia no grande foco que era dado à história de amor entre Tris e Tobias, que eu considerava superficial, em detrimento das grandes modificações que estavam a acontecer naquela sociedade. Neste volume, tal foi ultrapassado. O romance de Tris e Tobias, apesar de ainda levemente imaturo, parece-me mais forte e consistente e foi bastante bom ver que este assunto não foi tratado como um ponto fundamental da trama. Sim, é importante, mas tudo o que estava a acontecer era ainda mais.

A acção, contudo, não apresentou sempre o mesmo ritmo. Ao início é frenética e é quase difícil largar o livro graças às novidades e aos acontecimentos que não param de suceder. Depois, assiste-se a uma paragem, um abrandamento, que pode ser justificado por alguma passividade ou introspecção das personagens, mas que pode acabar por dar origem a momentos menos apelativos. Já perto do final tudo parece voltar a acontecer rapidamente e num ápice estamos a ler a última página do livro.

O final é surpreendente. Confesso que fiquei bastante agradada com este desfecho, pois vai ao encontro das mensagens que foram sendo enviadas ao longo de toda a trilogia. Assiste-se a redenção, sacrifício e perdão, o que acaba por dar mais força a tudo o que aconteceu anteriormente. Apesar de eu ter ficado bastante satisfeita, aviso que os leitores que preferem histórias com finais felizes e perfeitos poderão ficar desiludidos.

Convergente é o livro da trilogia que mais apreciei. Os segredos que até então existiram foram desvendados de uma forma plausível, as personagens apresentaram evolução e o desfecho conseguiu surpreender e agradar. Veronica Roth conseguiu ainda manter-se fiel à mensagem que sempre tentou transmitir e deu provas de que a redenção e o sacrifício são essenciais para a mudança.

Outras opiniões a livros de Veronica Roth:
Divergente (Divergente #1)
Insurgente (Divergente #2)

2 comentários:

John Delevingne disse...

Não posso esperar por começar a ler o Divergente para depois poder ler os seguintes da série!! :)

johnsreportblog.blogspot.com

Cláudia disse...

É uma série que vale a pena John.
Beijinho =)